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Cultura da cana-de-açúcar (Saccarum offinarum L.)

        

Aspectos gerais - É uma gramínea (Saccarum offinarum L.) originária da Ásia. Hoje, os maiores produtores são Brasil, Índia, Cuba, México e China. A cana-de-açúcar é cultivada em todos Estados brasileiros, mas é no Estado de São Paulo que se concentra a maioria das lavouras dessa cultura: são mais de 40% da área de cana no Brasil. No Nordeste, Pernambuco tem 20% e Alagoas, 17%. Minas Gerais e Rio de Janeiro juntos têm 15% de área plantada. A importância econômica da cana-de-açúcar é grande, visto que ela produz diversos alimentos para o homem e para animais, isso sem falar, no caso brasileiro, da produção de álcool combustível para a indústria automobilística. A cana-de-açúcar é uma planta semiperene.

A melhor temperatura para seu desenvolvimento é de 30 a 34°C. No que concerne a preparação do terreno que é um dos suportes básicos para um bom rendimento da cultura de cana o emprego da mecanização em todas as fases de operação agroindustrial vem sendo intensificado, embora a atividade açucareira seja das que dificilmente persistirão de mão-de-obra.    

Cultivares

Um dos pontos que merece especial atenção do agricultor é a escolha do cultivar para plantio. Isso não só pela sua importância econômica, como geradora de massa verde e riqueza em açúcar, mas também pelo seu processo dinâmico, pois anualmente surgem novas variedades, sempre com melhorias tecnológicas quando comparadas com aquelas que estão sendo cultivadas. Dentre as várias maneiras para classificação dos cultivares de cana, a mais prática é quanto à época da colheita. Quando apresentarem longo Período de Utilização Industrial (PUI), a indicação de alguns cultivares ocorrerá para mais de uma época.Atualmente os cultivares mais indicados para São Paulo e Estados limítrofes são:

Para início de safra: SP80-3250, SP80-1842, RB76-5418, RB83-5486, RB85-5453 E RB83-5054;

Para meio da safra: SP79-1011, SP79-2313, SP79-6192, RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB84-5257;

Os cultivares SP79-2313, RB72-454, RB78-5148, RB80-6043 e RB83-5486 caracterizam-se pela baixa exigência em fertilidade do solo.

Uma particularidade da cultura da cana-de-açúcar é a forma de identificação de suas variedades, como segue o exemplo: 

  CB 41 76 (CB-Campo Brasil, 41 - ano do cruzamento, 76 - número do cruzamento)

Existem duas épocas de plantio para a região Centro-Sul: setembro-outubro e janeiro a março. Setembro-outubro não é a época mais recomendada, sendo indicada em casos de necessidade urgente de matéria prima, quer por recente instalação ou ampliação do setor industrial, quer por comprometimento de safra devido à ocorrência de adversidade climática. Plantios efetuados nessa época propiciam menor  produtividade agrícola e expõem a lavoura a maior incidência de ervas daninhas, pragas, assoreamento dos sulcos e retardam a próxima colheita.

O plantio da cana de "ano e meio" é feito de janeiro a março, sendo o mais recomendado tecnicamente. Além de não apresentar os inconvenientes da outra época, permite um maior aproveitamento do terreno com plantio de outras culturas. Em regiões quentes, como o oeste do Estado de São Paulo, essa época pode ser estendida para os meses subseqüentes, desde que haja umidade suficiente.

O espaçamento entre os sulcos de plantio é de 1,40 m, sua profundidade de 20 a 25 cm. O processo mais utilizado no plantio é o de sulcos, principalmente nas grandes áreas. Deve-se efetuar o plantio entre 30 a 40 cm de profundidade. A cana-de-açúcar desenvolve-se se o terreno estiver limpo. Por isso, é importante fazer capinas química ou manual regularmente. As plantas invasoras prejudicam a cultura da cana, pois competem com ela na retirada dos nutrientes do solo. A cana-de-açúcar é exigente quanto à umidade: ela precisa de 1500 mm de chuvas anuais. Como no Nordeste quase nunca chove com essa intensidade, aconselha-se irrigar a lavoura artificialmente por meios dos vários sistemas já conhecidos (aspersão, por exemplo).

Entre as pragas, a broca (Diatraea sacharalis, Diatraea spp) é a mais grave e comum em todas as regiões. As cigarrinhas (Mahanarva posticata e M. fimbriolata) se destacam entre as pragas, ao passo que em São Paulo apenas na região de Ribeirão Preto essa praga provoca problemas sérios. O controle biológico, com fungo Metarhizium anizoplae tem dado os melhores resultados. Levantamentos recentes indicam o grande perigo de nematóides, principalmente dos gêneros Melodoigine e Pratylenchus. A ocorrência de outras pragas, como lagartas, afídeos, cupins, formigas, etc., tem sido registrada, porém com importância local e esporádica.

Por sua própria característica morfológica, denso sistema radicular e excelente cobertura foliar, é por ser, uma cultura naturalmente conservacionista do solo. A grande quantidade de fertilizantes e corretivos empregados no seu cultivo permite não apenas a manutenção como até chegam a melhorar a fertilidade dos solos em que é cultivada.

Antes de fazer a adubação, é necessário analisar o solo para saber quais suas características e os elementos carentes.

O nitrogênio, o fósforo e o potássio são os mais importantes, mas é preciso prestar atenção aos micronutrientes: embora em pequenas quantidades eles são necessários.

Colheita - É na colheita, carregamento e transporte que se nota um aumento na utilização da mecanização na lavoura canavieira. Ao lado do crescente índice de mecanização, o corte da cana ainda é predominantemente manual, com o carregamento mecânico.                                            

Aspectos Econômicos

Na safra 2002/03, a produção brasileira de cana ficou em 320,95 milhões de toneladas, das quais 269,45 milhões de toneladas no Centro-Sul e 51,50 milhões de toneladas no Nordeste. A oferta de açúcar ficou em 22,375 milhões de toneladas - 18,7 milhões de toneladas no Centro-Sul e 3,675 milhões de toneladas no Nordeste. O consumo foi de 22,317 milhões de toneladas, o que inclui 13,250 milhões de toneladas para exportação e 9,067 milhões de toneladas para o mercado interno.

Para  o álcool, a produção brasileira atingiu 12,620 bilhões de litros, para um consumo de também 12,620 bilhões de litros, considerando um volume de 6,496 bilhões de litros para anidro, 4,594 bilhões de litros para hidratado, 0,050 bilhão de litros para o segmento alcoquímica, 1,480 bilhão de litros para outros fins. Na safra 2003/04, os dados da Datagro apontam para uma produção de 330 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, das quais 282 milhões de toneladas no Centro-Sul e 48 milhões de toneladas no Nordeste (uma redução de 3,5 milhões de toneladas em função do EI Niño).  

Para o álcool, produção brasileira poderá atingir 14,072 bilhões de litros, para um consumo de também 14,072 bilhões de litros, considerando um volume de 7,550 bilhões de litros para anidro, 6,522 bilhões de litros para hidratado. As exportações devem dobrar, para 1,120 bilhão de litros. Com grande perspectiva de crescimento da exportação, haja visto a preocupação mundial ecológica, e o álcool ser um combustível renovável e não poluente. As projeções da Organização Mundial de Açúcar (ISO, sigla em inglês) para a produção mundial  de açúcar da safra 2002/03 são de 139,90 milhões de toneladas, cerca de 4 milhões de toneladas acima do ciclo 2001/02. A estimativa do consumo no mesmo período, de acordo com as agencias internacionais, baseadas nas informações da ISO, ficou em 136,14 milhões de toneladas, o que proporciona um superávit de 3,76 milhões de toneladas.        

A oferta de açúcar da China poderá exceder as previsões do governo daquele país, de 9,52 milhões de toneladas. Na Tailândia, a expectativa também é produção alta, com uma colheita de 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Para a nova safra, a 2003/04, as estimativas preliminares apontam para uma redução da oferta da União Européia. No Brasil, os analistas projetam uma produção maior de álcool em detrimento da oferta de açúcar. O país produziu cerca de 22,5 milhões de toneladas de açúcar e pode reduzir a safra em 7,8% somente no Centro-Sul. Se comparado o volume de dinheiro empregado na instalação de uma refinaria de petróleo, em média seria gerado cerca de novecentas vezes mais emprego com o mesmo montante empregado em um programa de incentivo à produção de álcool.

Eng. Agrônomo Juarez Menezes Peixoto da Silva

   
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