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Você age ou reage?
Certa noite há poucos dias, fui com um amigo à banca de jornal.
Ele comprou o Jornal, agradecendo ao jornaleiro. Este nem se abalou.
"Camarada mal educado, não é?”,
comentei.
"Ah, ele é sempre assim!", respondeu meu amigo.
"Nesse caso, por que continua sendo delicado com ele?”,
indaguei.
"Por que não? Perguntou
meu amigo por sua vez concluindo: Porque iria eu deixar que ele decidisse
como eu devo agir?”.
Pensando mais tarde nesse incidente, ocorreu-me que a palavra
importante era "agir". Meu amigo age com relação aos outros,
quase todos nós reagimos.
Ele tem senso de equilíbrio interior que falta à maioria das
pessoas; ele sabe como é, o que é, como deve proceder, tem convicções
próprias.
Recusa-se a retribuir incivilidade com incivilidade porque assim
já não seria senhor de sua própria conduta.
Ninguém é mais infeliz do que aquele que apenas reage. Seu centro
de gravidade emocional não tem raízes em si mesmo, como deve ser, mas
no fundo fora dele. Sua temperatura espiritual esta sempre sendo elevada
ou abaixada pelo clima social que o cerca, e ele é uma simples criatura
à mercê desses elementos.
O elogio lhe dá uma sensação de euforia, que é falsa porque não provém
de auto-aprovação. As críticas o deprimem mais do que devem, porque
confirmam sua própria opinião insegura de si mesmo. As caras feias que
lhe ferem-no e a mais leve suspeita de antipatia o faz amargurar-se.
A serenidade de espírito não poderá ser atingida enquanto não
nos tornarmos senhores de nossas próprias ações e atitudes. Deixar que
os outros determinem se devemos ser rudes ou corteses, se devemos exultar
ou ficar deprimidos, é abrir mão do controle sobre nossa própria personalidade,
que, afinal, é tudo quanto possuímos.
Parece difícil? |
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